quarta-feira, setembro 05, 2012

Uma vez caloiro, nunca mais caloiro



Paulo Moreno Toscano escrevia no "Palito Métrico" (Conselhos para os Novatos ocuparem o tempo das férias...) [Coimbra Editora, 1942, p.191]

«É tão antigo o costume de chamarem Novatos aos que na Universidade se matriculam no primeiro ano, como são as Universidades no mundo.»

A palavra «caloiro» designava originalmente o aluno dos liceus, sendo o «novato» aquele que, como se vê, se matricula no primeiro ano.

Qual seja a origem da palavra «caloiro» é irrelevante para o caso que aqui me traz: É possível ser-se caloiro mais do que uma vez?

Este é um dos erros mais incompreensíveis que se têm transmitido ultimamente em Praxe. Como se terá chegado até aqui? Como é possível que alguém defenda que se pode ser caloiro 2, 3 - n vezes?

No Porto usava-se o seguinte aforismo: «Ser caloiro é um estado de espírito». E assim é, de facto. Tal como há «adultos» (em idade...) que nunca passaram da adolescência, também há veteranos com mentalidade de caloiro, de bicho e até mesmo de polícia: «Caloiro está três furos abaixo de cão e sete acima de polícia».

Pelo contrário, caloiros há que sabem mais que a Lúcia. E por isso existiu sempre a figura da alforria. Se o caloiro mostrava dotes invulgares de humor e companheirismo, muitas vezes era imediatamente alforriado logo no primeiro dia, significando que perdia o estatuto de caloiro/novato, passando poder sair às horas que queria sem ser incomodado, etc.

E quando isso não acontecia? Vejamos o que diz ainda o «Palito Métrico», num soneto de António Duarte Ferrão:

«Conselho saudável a um Novato

Será muito obediente ao Veterano,
Será no seu falar muito encolhido
E quando for (quod absit) investido(=praxado),
Tudo executará com rosto lhano (=cara alegre):

Se acaso ouvir dizer: "Fora, pastrano", (=pastor; nada que ver com "pasta"...)
Vá andando, não se dê por entendido;
Porque o mais é mostrar-se compreendido,
E além disso, arriscar-se a maior dano:

Se dos quinze de Maio se vir perto
Sem que lhe tenha alguém montado em cima,
Pode pesar-se a cera pelo acerto:

Mas de gabar-se disto se reprima;
Pois lá diz um ditado muito certo,
Que até lavar os cestos é vindima.»

"Quinze de Maio" era o fim do ano lectivo e início da época de exames. Se o caloiro não tivesse sido montado até essa data, podia pesar a cera pelo acerto (podia acender uma velinha aos santos), mas que não se gabasse de não ter sido investido (praxado, diríamos nós), pois até ao fim dos exames ainda podia ser... mas a partir daí, já não.

Ora, como se vê, a tradição (os textos que citamos são anteriores a 1765 - sim, mil setecentos e sessenta e cinco, não é engano) consagra que a partir do fim do primeiro ano lectivo o aluno deixa de ser Novato (Caloiro, para nós). Mais: a mudança de designação é automática. Isto é, o aluno deixa imediatamente de ser "Novato" para passar a "Semiputo", etc. Não precisa, pois, sequer de ser investido (praxado) para deixar de o ser.

Como se justificam expressões como "Passar na Praxe" ou "Matrículas na Praxe"?

Como ensina ainda Paulo Moreno Toscano:

«Aos do segundo [ano] costumam nomear por Semiputos (...). Aos do terceiro, Pés de Banco (...). Aos do quarto, Candeeiros (...).»

E o traje? Quando pode o Novato/Caloiro usar traje? Seja agora António Castanha Neto Rua, em meados do séc. XVIII (dezoito, sim, não é engano) em «O Sábio em Mês e Meio» (Palito Métrico, Coimbra Editores, 1942, p. 332) quem no-lo ensine:

[Um bacharel recém licenciado por Coimbra está de visita a um pároco de aldeia seu amigo. Um dia, apareceu por lá um sobrinho do bom abade, rapaz espigadote, que ia candidatar-se à Universidade. O bacharel engraçou com o moço e começou a dar-lhe conselhos sobre o que fazer quando chegasse a Coimbra]

«[Depois da investida dos veteranos amigos do seu primo, e antes de fazer sequer os exames de admissão], como eu desejo que Vossa mercê seja completo, passe imediatamente a comprar a sua batina em segunda-mão. A isto objectou o Tio (...) - Que ele tinha muito dinheiro e não queria que seu Sobrinho apanhasse os suores de ninguém. Ao que o [aldrabão] do bacharel tornou com [o seu] costumad[o ar de gozo]: Senhor Padre,  Vossa Mercê destas coisas não pesca: a batina que lhe recomendo é para o primeiro ano, a fim de não parecer Novato e livrar-se da injúria de lhe chamarem Calouro, Boroeiro, Felpudo e outros nomes que se engendram segundo o vagar e a fantasia de cada um, pois, [lá diz o ditado] "Quem não quer ser lobo, não lhe veste a pele" e foi indo por diante.
Vestido pois de batina, peça a seu primo que o ensine a traçar segundo a moda (...)»

O Novato/Caloiro pode ou não trajar? Cada um conclua daqui o que puder... ou fique caloiro para sempre.

E os caloiros estrangeiros? Este problema só se começou a pôr a partir de 1911, com a criação da Universidade do Porto (e de Lisboa) - uma vez que até essa altura existia apenas a Universidade de Coimbra.

Com o trânsito de alunos entre as duas universidades, foi necessário, a partir de determinada altura, chegar a entendimentos entre as duas academias. Penso que a princípio o problema continuou a não existir, sendo cada aluno imediatamente aceite no grau hierárquico que lhe competia.

Verdadeiramente, aparece a designação de caloiro estrangeiro no Código de Coimbra de 1957 e, mais tarde, no projecto de código do Porto (anos 80), que  se limita a copiar o de Coimbra, com muitos laivos de invenção pelo meio.

É efectivamente a partir dessa altura (anos 60 em Coimbra e sobretudo a partir  de finais dos anos 80 e início dos anos 90, no Porto) que deixa de haver "paralelismo", embora os alunos transferidos não fossem molestados ou alvo de certos "abusos", como anos mais tarde viria a suceder (e que hoje se observa).
Não praxavam, mas também não eram praxados.

Sobre isso, disse-nos o nosso amigo Zé Veloso (do blogue Penedo d@ Saudade, e estudante de Coimbra e Porto nos anos 60) o seguinte, quando por mail o questionámos sobre como era no tempo dele:

"No meu tempo de Coimbra, quem chegasse a Coimbra vindo de outra universidade era sempre considerado "caloiro estrangeiro".
Eis o que diz o Código da Praxe de 1957:
«Pertencem à categoria de caloiros estrangeiros os alunos que, embora já tendo estado matriculados no ensino superior, português ou estrangeiro, todavia estejam matriculados na Universidade de Coimbra pela primeira vez.»
Os caloiros estrangeiros tinham limitações de circulação na cidade, idênticas às dos restantes caloiros, depois do toque da cabra, mas não podiam ser rapados. Estas prescrições eram seguidas.
Os caloiros estrangeiros não eram "mobilizáveis", ou seja, não eram alvo de troças (de prática e de jure).

Quem chegava ao Porto... nada havia de praxes. Nem na Faculdade de Engenharia nem da de Ciências (onde fiz uma cadeira que trouxe de Coimbra atrasada)."

Os anos 80 vêm, pois, agravar o problema, com a criação exponencial de universidades e a criação de códigos de praxe a metro. As novas universidades quiseram diferenciar-se a todo o custo, criando as suas próprias praxes. Surgiu assim o argumento de que o aluno que vem  de outra universidade não conhece "a nossa praxe", pelo que terá de ser "caloiro" para aprender a praxe da casa...

Esta postura contém um erro de base, uma vez que parte do princípio que a praxe serve para ensinar a Praxe aos caloiros. Não serve. A Praxe existe acima do caloiro e do veterano, vinculando ambos a um conjunto de direitos e deveres.

Ninguém sabe tudo de praxe. Quem o afirmar é um mentiroso. Ora, se ninguém sabe tudo de praxe, então andamos todos a aprender. Então somos todos caloiros!  - é a única conclusão a que podem chegar aqueles que dizem que a praxe serve para ensinar a Praxe... Ora isto não parece razoável a ninguém.

Quando um aluno muda de universidade, não me choca que passe por um período de iniciação/adaptação a novos costumes. Um semestre parece-me razoável. O que me parece igualmente é que este já não será um "novato" nas andanças universitárias, pelo que não deverá ser tratado como um «caloiro puro», sendo integrado no grau hierárquico que lhe cabe, de acordo com o ano curricular que frequentar - mesmo que seja o último.

"Putus" (e o feminino "puta"), em latim, significa "Puro, sem mistura, não adulterado". "Semi puto" quer dizer "quase puro", "quase refinado". Ora a investida (praxe, se quiserem) destinava-se a isso mesmo - a purificar, a refinar, a retirar as impurezas do caloiro, identificado como sendo aldeão, rústico, pastor. Sendo assim, e partindo do princípio de que já foi "depurado" noutra universidade, precisará agora apenas de "limar algumas arestas" - o tal período de adaptação.

Sejamos razoáveis - tanto é o que se pede e aconselha, tendo em conta que um caloiro é, antes de mais e acima de qualquer outra coisa um ser humano e um colega de curso, não um saco de pancada para as nossas frustrações.

Há quem entenda que o caloirado é em tudo semelhante à instrução básica da tropa: só quando o recruta dominar um conjunto de técnicas básicas (marchar, formar, pôr a arma ao ombro, identificar as divisas e as patentes, etc.) é que pode passar ao grau seguinte. Nada de mais profundamente errado! Embora a praxe e a instituição militar sejam fortemente hierarquizadas, em praxe a passagem de um estatuto ao seguinte é automática - na tropa, não. Outra diferença reside no facto de na tropa existir subordinação efectiva e um poder real e legal entre superiores e subordinados - em caso de guerra, o superior chega a ter poder de vida e morte sobre os subordinados. Nada disso se passa em Praxe, onde não existe poder efectivo,  mas apenas consentido. Triste do que acredita que é efectivamente mais do que um caloiro...

O caloirado é uma janela temporal, que fica aberta durante um ano lectivo e se fecha automaticamente. E é dentro desse limite temporal que o caloiro pode ser sujeito (se nisso consentir) a um determinado número de práticas.


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As imagens publicadas neste artigo foram retiradas da Internet.

14 comentários:

WB disse...

Foi apagado, sem querer, um comentário da Mariana.
Se ela estiver a ler isto, pedíamos que voltasse a reescrever o seu comentário, desde já pedindo desculpa pelo lapso e incómodo causado.

Anónimo disse...

Finalmente um texto que explica como deve ser as coisas e acaba com essa coisa de não aceitarem que as pessoas sejam tratadas com igualdade, porque eu sofri na pele essa merda quando nem a universidade o fez e me deu equivalência a 9 das 11 cadeiras do 1º ano que trazia feitas.
Fui declarado anti-praxe porque não me quis submeter a ser praxado outra vez.

Obrigado por este texto que mostra saber e inteligência, coisa que falta a muitos doutores veteranos.

Fernando Amaral

Anónimo disse...

Eu não diria melhor.
Eu também acho que não tem sentido sermos praxados segunda vez por mudar-mos de escola, ainda por cima isso acontece aqui no Porto onde é a mesma academia.
Se eu rebolei no chão e me encheram de ovos e farinha, tenho de voltar a passar o mesmo noutro sítio? Os ovos e a farinha são assim tão diferentes? É uma questão de marca?
Mas há mais estúpido ainda que é praxarem doutores só porque estão abaixo na hierarquia.
Aja dó!

Rui Azevedo

Eduardo disse...

Meu caro Rui:

é o que eu dizia: há "doutores" muito piores que caloiros...

Abraço,

Eduardo

WB disse...

O enorme erro e falácia de tudo isto é haver IMBECIS que têm a presunção de acharem que a "Praxe" da sua acasa é tão especial, tão única e tão diferente que só sendo praxado se pode integrar a sua "Praxe".

Esses PACÓVIOS, chegam a ter a distinta lata, como se concluiu de desrespeitar e menorizar as outras academias, achando-se "melhores" e "diferentes" (diferentes, neste caso, é acharem que fazem melhor) que as outras casas, naquilo que é uma PALERMICE absoluta.

A esses PALERMAS, deixo algumas perguntas. Qualquer uma que não possa ser respondida objectivamente signfica que, afinal, é só balelas e basófia de incompetentes e ignorantes:


1º - Se um aluno com 3 matrículas for para a vossa casa, em que é que as vossas "praxes" são tão diferentes e especiais para que só por elas o estudante em causa fique a integrar melhor a vossa cultura?
2º - Que praxes são essas e o que é que elas ensinam da vossa cultura que sejam únicas?

3º - Que cultura, que tradição é a vossa, que tem ela de tão diferente que tenha de haver uma praxe própria e singular que só ela permita apreender e compreender a vossa tradição?

4º - O que é que a vossa "Praxe" tem de tão diferente que não se possa aprender observando e lendo o vosso código, mas seja necessário ser praxado?

5º - O que é que ensinam e integram de forma tão diferente de outras casas para obrigarem um aluno que já foi caloiro noutra academia a ser novamente praxado como um caloiro?

E não venham certos PATETAS com o argumento de que a Praxe é um sentimento e que só pela vivência se percebe, que só pela prática, pois é um absurdo e um argumento ridículo.
Quem não sabe explicar a sua Praxe, Tradição, Cultura, é porque não a tem sequer ou porque nem sequer existe, de facto, como algo diferente de outros locais.

Zé Veloso disse...

Caro amigo,
Concordando com o essencial do seu excelente e esclarecedor artigo, gostaria apenas de deixar alguns comentários.

1. Admito que a palavra “pastrano”, usada no soneto que o texto refere, independentemente do significado comum de “pastor”, pudesse ter um qualquer significado dentro da hierarquia académica da época, provavelmente um qualquer grau inferior. Só assim faz sentido recomendar-se ao novato que “não se dê por entendido; porque o mais é mostrar-se compreendido, e além disso arriscar-se a maior dano”.
Reforçando essa hipótese, PASTRANO existe na praxe de Coimbra, pelo menos desde o Código de 1957, situando-se acima do CALOIRO e abaixo do SEMI-PUTO. No Código de 2007, que em relação ao anterior estabelece mais uma série de categorias, o PASTRANO é substituído pelo CALOIRO(A) PASTRANO(A).
Uma vez mais referindo-me à Coimbra de 1957 e 2007, o “grau” de PASTRANO /CALOIRO(A) PASTRANO(A) é, grosso modo, a qualidade dos caloiros no período subsequente à Queima em que deixaram de o ser e o início do ano lectivo seguinte. Existe, pois, um estágio intermédio entre CALOIRO e SEMI-PUTO.

2. Sobre o uso do traje pelos caloiros/novatos, estou completamente de acordo com a sua posição.
Tenho boas razões para supor que o traje fosse utilizado igualmente pelos alunos do Real Colégio das Artes, que, do século XVI ao XIX, preparava os alunos para a entrada na Universidade, correspondendo, grosso modo, ao ensino secundário de hoje.
E daí que na Coimbra do meu pai – início do Séc XX – e na minha Coimbra, muitos alunos do liceu, eu incluído, usassem capa e batina.
E já agora, é António José Soares que relata em “Saudades de Coimbra 1917-1933” que, em Novembro de 1924, «o Governo decretou a permissão do uso de capa e batina aos estudantes de ambos os sexos das Universidades, Liceus e Escolas Superiores».
Não permitir o uso da capa e batina pelos caloiros ou estipular limitações ao seu uso, como acontece agora em Coimbra com o não traçar da capa, é não apenas contra a tradição como contra a integração dos caloiros, que se diz ser uma das funções da praxe. Isto porque o traje é um dos sinais mais fortes de pertença de alguém a uma sociedade.

Um abraço,
Zé Veloso

Eduardo disse...

Ora viva, caro Zé Veloso:

normalmente diz-se que se dá o nome de "pastrano" porque já pode usar a pasta - querendo-se com isto dizer que "pastrano" deriva de "pasta".

Foi apenas isto o que quis desmentir: "pastrano", elucidam vários dicionários, é corruptela popular de "pastorano", isto é, "pastor".

Independentemente do uso que se dá hoje em dia a "pastrano", a palavra era usada como denominação pejorativa em pé de igualdade com caloiro, boroeiro, felpudo - e imagino que outras bem piores... - para designar os novatos.

A minha achega prendeu-se apenas com a etimologia, nada mais.

Obrigado pela bondade das suas palavras, pelas suas oportuníssimas achegas e pelo excelente penedo d@ saudade!

Eduardo

Mariana disse...

Grande artigo, obrigada! Vou seguindo o blog atentamente, aqui só se aprende!

Cumprimentos e continuação do bom trabalho,

Mariana

PS: Reescrevi o comentário, não há problema ;)

Anónimo disse...

"em praxe a passagem de um estatuto ao seguinte é automática - na tropa, não. "

Tenho conhecimento de amigos que na sua universidade foram "chumbados" na praxe após avaliação de passaportes.

Até que ponto estará isso correto ? Visto que para terem direito a praxar terão de se submeter a mais uma semana de praxes ?

WB disse...

Caro anónimo,

Obviamente que não faz sentido.
O direito de praxar mnão advém de ter sido praxado, mas pelo nº de matrículas. As praxes não são recruta nem um curso com diploma que se dá no fim, habilitando as pessoas.

Há é gente que, de tão pequenina, intelectualmente, ainda não consegue perceber o que é a Praxe e o que são as praxes.

Anónimo disse...

Quando entrei na Universidade a que pertenço actualmente já tinha 4 matriculas e no entanto consideravam-me caloira. No meu primeiro ano fui praxada e portanto achei que já tinha vivido o que havia para viver como caloira. Não quis participar na praxe novamente e ninguém me obrigou a tal. Na verdade, também não queria ser praxada por doutores com menos matriculas do que eu. Só que agora no 3º ano os meus colegas que foram praxados acham que têm mais direito do que eu de praxar só porque não fui praxada nesta universidade. Acho isso ridiculo!Até porque agora eu tenho 6 matriculas e eles têm 3! O código de praxe da minha universidade fala em caloiro estrangeiro mas na verdade quem não foi praxado nesta universidade, e ainda para mais no meu curso, está condenado a não ser aceite como praxador!

Anónimo disse...

Acho que estamos aqui a esquecer uma coisa importante.
A praxe no Porto, por exemplo, vive muito das ditas "desgarradas" com outras faculdades. Ora para este caso, é necessário saber, pelo menos, as músicas para poder desgarrar. Como é possível aprendê-las, ou mesmo ensina-las como doutor,se nunca se viveu a praxe NAQUELA faculdade?

WB disse...

Praxe que vive de desgarradas?
Caro anónimo, parece-me algo muito redutor. É como dizer que a praxe vive de copos.
Não misture aprender músicas com Praxe.
Não é preciso cantar para ser praxista ou estar em Praxe, nem o domínio de um "cancioneiro praxístico" é condição para se exercer a condição de praxista.

Porta férrea disse...

Meus Caros:
Se me é permitido, duas achegas:
- "Pastrano" era o "estadio" do estudante que mediava entre o fim da Queima e, normalmente, o dia da latada ou o da Abertura Solene da Universidade. Salvo erro, no meu tempo, esta era a 16 de Outubro com o cortejo Doutoral para a sala dos capelos.
- "Caloiro estrangeiro" era todo o estudante que, vindo de outra Universidade (e tivesse as matrículas que tivesse), fazia a sua primeira matrícula em Coimbra. Tinha duas hipóteses; se se quisesse submeter à praxe, tal como qualquer caloiro, passava a ter todos os direitos que qualquer outro estudante, contando para tal todas as matrículas já efectuadas. Assim se tivesse, por ex:, três matrículas e nesse ano optasse por se sujeitar à praxe, no ano seguinte era quartanista, poderia usar insígnias (conforme o curso)e poderia mesmo ser veterano. Se não se sujeitasse, nunca poderia ser veterano!
Como "caloiro estrangeiro", tal como o caloiro normal, não podia usar qualquer espécie de pasta!