quarta-feira, outubro 14, 2015

Notas a trapos velhos na Praxe


Dux com 20 matrículas, personagens trintonas, quarentonas e sexagenários autênticos ainda à frente dos destinos dos organismos de Praxe ou com assento nos mesmos é algo parece corrente na actualidade (e de há vários anos a esta parte) que nos deveria, a todos, revoltar.
Não existe, na história da Praxe e dos organismos de praxe, qualquer registo de veteranos ou líderes com números tão avultados de matrículas como os que se registam desde os anos 90 em diante.
Se, num passado já distante (que ainda hoje parece surtir influência) se criticavam os alunos bons, chamando-lhes, na gíria estudantil de "ursos", tal não significava que fosse próprio e bem visto um aluno arrastar-se anos e anos sem fim para tirar um curso.
Por que razão andam esses senhores na Universidade a parasitar, literalmente, uma vivência que é exclusiva e própria de jovens estudantes a sério?
Não estamos aqui a condenar quem chumbou meia dúzia de anos, mas há limites. E há limites especialmente quando se trata de pessoas que já nem estudam de facto, porque trabalham, mas cujo o único acto oficial que operam na instituição de ensino é matricular-se.
A cultura estudantil tem uma idade própria para ser vivida, porque tudo tem um tempo.


RUGAS DE JUVENTUDE OU MIRRADOS PELA SECURA INTELECTUAL?

Nada mais ridículo que um velho (em praxe, um jovem com mais de 30 anos é certamente um "velho)  ter comportamentos infantis ou ainda andar a brincar aos jovens, quando isso implica, necessariamente, que esteja a tirar e ocupar o lugar e uma experiência de vida a quem é jovem, a quem é moço. Falo, naturalmente, dos estudantes de faz de conta.
Se for com o pretexto que os jovens não saberão governar-se e tratar bem das coisas que herdaram, estamos perante um paradoxo e uma incoerência, e uma enorme presunção, pois esses velhos que se arrastam na Praxe foram também jovens e vieram tomar o lugar dos que, entretanto, passaram a idade e terminaram a sua frequência normal.

Se for por "amor à camisola", apenas expressam que são pessoas claramente desequilibradas que, apesar da idade, ainda não cresceram nem maturaram. Não poucas vezes, contudo, a isso se alia igualmente uma outra falha psíquica que é a do ego e da necessidade de terem um qualquer cargo ou poleiro para se sentirem alguém. Para todos os efeitos, estamos a falar em falta de maturidade e de dois dedos de testa.

Veteranos "Ad Aeternum" não existem, nem são Praxe, são, isso sim, pessoa ad aeternum caloiros de espírito.

Pessoas que inventam matrículas e subterfúgios para se manterem matriculados só para "inglês ver", não sendo, de facto, estudantes (condição que designa aquele que estuda e frequenta as aulas), não passam de parasitas que vivem para tronos e enchem a Tradição de pestilenta gangrena.

A Praxe tem sofrido, e muito, com esta falta de renovação geracional e o fosso enorme que se cava entre figuras de cabelos brancos e jovens estudantes que podiam ser seus filhos e, até, em alguns casos, seus netos.
Também é facto que essa falta de renovação, promovida por pessoas que se eternizam nos organismos, quase sempre às custas de matrículas fantasma (muitos já trabalham, mas mantém a inscrição para poderem continuar "em jogo"; e outros nem isso) ou de invenções legislativas, feitas por encomenda (legislando em causa própria), na criação de conceitos veterânicos que dão assento e poder a antigos alunos numa cultura que só devia permitir alunos, de facto.
Nada menos prestigiante do que ter como referência, até na Praxe, supostos alunos (muitos deles de "faz de conta") que são um hino à incompetência e à burrice, incapazes de sequer concluir um curso, mesmo após 2 ou mais décadas a cursar a universidade. Vergonhoso (aliás, note-se que, em Braga, o líder da Praxe foi, há uns anos, retirado do protocolo académico, precisamente por o reitor julgar inapropriado que uma figura académica fosse exemplo pela sua falta de estudo e pro chumbar anos a fio).
E se ainda essas pessoas, pelo menos fossem competentes em assuntos de Praxe e Tradição Académica, mas não: mostram-se tão ineptos e tapados nestas matérias como incapazes de concluir uma qualquer licenciatura.
Em bom português, estamos perante nada menos que parasitas e inúteis.

Um trintão ou quarentão (e até os há com mais de 60) a fazer parte de um organismo de Praxe não apenas é contranatura, mas é passar um atestado de menoridade, desconfiança e incompetência a todas as gerações de estudantes que por eles passam, sem lhes dar possibilidade de exercerem plenamente a sua cidadania académica, vetados que ficam a meros cordeiros que ordeiramente servem para passar lustro ao ego dos "veteranos", serem como que um contingente obediente ao serviço do comodismo desses senis dinossáurios.
Mas mais: este actual estado de coisas tem sido igualmente acompanhado de uma verdadeira letargia, num "deixa andar" de pessoas incapazes de se renovar, também não renovam a Praxe, antes a mantendo refém dos seus caprichos, não apresentando nenhum progresso e intervenção para melhorar seja o que seja, desde logo os códigos pelos quais (des)governam e criam situações, no limite, anti-Praxe.
Não fazem nem deixam fazer, portanto.
Não defendem a Praxe, porque continuam a mantê-la com os mesmos erros em que eles próprios foram induzidos ou criaram.  
Vivem num regime autocrático e ditatorial e, na maioria das vezes, destilando incompetência total e absoluta ao permitirem quer a permanência de erros quer invenções absurdas, para contentarem o povo e garantir os seus poleiros e regalias.


MUDANÇA DE PARADIGMA


Se, tradicionalmente, e desde o código da UC de 1957, o Dux apenas cessa funções quando conclui o curso, tal se devia a algo muito simples: os Dux pouco tempo ficavam no exercício de funções, pois entretanto formavam-se.
Não se entende que, com os actuais exemplos de velhos sentados no poleiro quais galinhas chocas, numa época de democracia, ainda se permita este tipo de regime absoluto, em jeito de monarquia de segunda.
Há muito que os códigos, também nesse ponto, deveriam ter sido revistos, limitando os mandatos de um Dux e dos elementos de um organismo de Praxe, pois as pessoas devem estar ao serviço e não as funções ao serviço das suas conveniências.
Ninguém é insubstituível, nomeadamente na Praxe e ninguém faz falta se nem sequer permite que essa falta se faça sentir.
Já não é aceitável, no actual quadro social e evolucional, que continuem no cargo pessoas que mostram não apenas falta de senso e de decência, mas enorme falta de sentido de oportunidade. A Praxe sempre foi acompanhando as normas de civilidade de cada época. A actual configuração e enquadramento das funções de Dux e papel do organismo de praxe, acaba por contrastar dolosamente com tal.

"CADA QUAL NO SEU LUGAR, NUNCA MAL SE HÁ-DE ACHAR".


O papel dos antigos estudantes mais envolvidos no seu tempo, dos antigos líderes, dos que sentiram e viveram intensamente a academia, deveria ser aquele que também nós aqui nos prestamos fazer: aconselhar, fazer reparo, com base em algo mais do que mera experiência.
Se concedemos que, enquanto estudantes, os praxistas estão pouco vocacionados para estudarem e investigarem as suas tradições, sendo por isso suficientemente críticos e conhecedores para distinguirem as coisas, quão precioso seria para a Praxe e organismos de Praxe que os seus antigos protagonistas o fossem a municiar os mais jovens com o seu trabalho de procura de fundamentos e (re)descoberta das tradições genuínas.
Aliás, só assim, e com o devido distanciamento e isenção é que é possível fazer a autocrítica e análise, de modo a poder, com propriedade, dizer aos mais novos: "Não vão por aí que nós fomos e fomos mal".
Claro está que isso só é possível a que exige de si algum rigor e excelência intelectual e moral e tem idoneidade para tal.
Na verdade, a boa parte desses indivíduos, diríamos que o melhor era mesmo ofuscarem-se e remeterem-se a um silêncio definitivo.
é preciso dar oportunidade aos jovens de também fazerem caminho, de errarem e aprenderem com os erros. isso é o curso normal da vida. Ver eternizadas velhas figuras que continuam a errar como se nada tivessem aprendido é que relva de uma escatológica incoerência.


ACORDAI!

Mas enquanto os estudantes aceitarem esta situação, apenas podemos dizer que têm o que merecem, já que se acham bem representados e governados assim.
Quando os estudantes disserem "basta" e exigirem serem governados interpares,  ignorando estes organismos que mais parecem lares estalinistas de terceira idade, então sim será possível dar à Praxe a oportunidade de se renovar nela própria, de se (re)descobrir e de se libertar das correntes que a prendem aos conceitos, muitas vezes, distorcidos implementados ad hoc por esses senhores
Quando tal suceder, certamente que os estudantes não deixarão de procurar aviso e ajuda dos mais velhos para o devido conselho e esclarecimento, pois é esse o papel dos mais velhos: partilhar o seu conhecimento e experiência e não viver a vida dos mais jovens, como se eles não fossem capazes de o fazer.
Necessariamente, a mudança geracional implica sempre o risco do erro, pois a juventude é menos ponderada, contudo faz parte do processo de crescimento e maturação (errar, aprender com os erros...), sempre foi assim, e certamente que os erros próprios da juventude não poderão ser mais graves que os actuais erros resultantes da falta de senso que esses senhores mais velhos demonstram e operam.
Todos fomos jovens, saibamos agora ser adultos.

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